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25 de Maio de 2022
  • 2º Grau
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Detalhes da Jurisprudência
Processo
AI 5033362-64.2020.8.24.0000 Tribunal de Justiça de Santa Catarina 5033362-64.2020.8.24.0000
Órgão Julgador
Segunda Câmara de Direito Civil
Julgamento
11 de Março de 2021
Relator
João Batista Góes Ulysséa
Documentos anexos
Inteiro TeorTJ-SC_AI_50333626420208240000_7cd9f.rtf
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Inteiro Teor











Agravo de Instrumento Nº 5033362-64.2020.8.24.0000/SCPROCESSO ORIGINÁRIO: Nº 5026521-36.2020.8.24.0038/SC



RELATOR: Desembargador JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA


AGRAVANTE: BERNADETI FELIPE SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVANTE: JOSE FLORIANO SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVADO: HELIO FERREIRA DIAS ADVOGADO: JOAO ANTONIO LOPES (OAB RJ063370)


RELATÓRIO


José Floriano Schmitt e Bernadeti Felipe Schmitt interpuseram agravo de instrumento contra decisão que, nos autos da Ação de Conhecimento com condenação por Dano Moral n. 5026521-36.2020.8.24.0038 aforada contra Hélio Ferreira Dias, indeferiu pedido de tutela de urgência para suspender temporariamente os pagamentos do acordo judicial realizado nos autos n. 0047083-40.2009.8.24.0038, bem como o registro de tal acordo como instrumento de compromisso de compra e venda de quatro imóveis junto ao CRI da comarca de Joinville.
Em suas razões, os Agravantes requerem o provimento do recurso, aduzindo que: (a) nos autos n. 0047083-40.2009.8.24.0038, formalizaram acordo com o Agravado, pelo qual se comprometeram pagar uma dívida de R$ 1.440.000,00 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais), e, em contrapartida, receberiam os imóveis matriculados sob os ns. 6.561, 9.079, 14.262 e 14.263 do CRI da 3ª Circunscrição; (b) diante da necessidade de administrar os imóveis adequadamente perante o poder público e terceiros, pleitearam junto ao Agravado o recebimento de procuração, porém, este não o fez, mesmo notificado extrajudicialmente; (c) o acordo homologado deve ser reconhecido como compra e venda dos imóveis, dando direito aos adquirentes para usufruí-los adequadamente, como conservá-los e fazer melhorias; (d) a intransigência do Agravado em fornecer-lhes procuração e/ou escritura pública pode causar sérios prejuízos, devendo o ajuste ser adequado de acordo com a função social da propriedade, dignidade da pessoa humana e valores sociais do trabalho e livre iniciativa; e (e) é indispensável que se permita a suspensão do pagamento das parcelas do acordo entabulado nos autos 0047083-40.2009.8.24.0038, por 180 dias, em razão da pandemia de Covid-19, até janeiro/2021, por conta da indisponibilidade financeira, nos termos dos arts. 317 e 393 do Código Civil.
O almejado efeito suspensivo foi indeferido (Evento 5).
Intimado, o Agravado apresentou contrarrazões (Evento 22).
Esse é o relatório.

VOTO


Objetivam os Agravantes a reforma da decisão que indeferiu a tutela de urgência de suspensão dos pagamentos das parcelas devidas ao Agravado e ajustadas em acordo homologado judicialmente, como o pedido de registro da sentença homologatória na matrícula dos imóveis litigiosos como "verdadeiro instrumento de compromisso de compra e venda".
Para ilustrar, transcreve-se a decisão agravada (Evento 6 da origem):
[...]
No caso, a parte autora pretende a suspensão das parcelas do referido acordo e, ainda, a declaração do referido documento como instrumento de compromisso de compra e venda.
Para melhor compreensão do feito, convém transcrever o acordo homologado nos autos do processo de nº 0047083-40.2009.8.24.0038, que tramitou na 1ª Vara Cível desta Comarca, com trânsito em julgado em 29/06/2016. Vejamos:
[...]
Em detida análise, verifico que a transmissão da escritura de compra e venda aos autores restou condicionada ao cumprimento integral do acordo celebrado com o réu, o que ainda não ocorreu.
O art. 476 do Código Civil estabelece que, nos contratos bilaterais, não pode uma parte, antes de cumprir sua obrigação contratual, exigir que a outra o faça. No caso dos autos, é exatamente essa a pretensão da parte autora que, ao que se vê, encontra clara vedação legal.
Assim, enquanto não cumprido o acordo em sua integralidade, infere-se que a propriedade dos imóveis permanece com o requerido, que detém a faculdade de delegar ou não os poderes pleiteados pelos demandantes.
Ainda, não cabe a este juízo, em análise de cognição sumária, reconhecer natureza jurídica de compromisso de compra e venda ao acordo homologado judicialmente, sobretudo pela impossibilidade de auferir se esta era a intenção das partes.
Quanto ao requerimento para suspensão das parcelas do acordo, além de não haver nos autos a indispensável demonstração de que a parte autora enfrenta situação de hipossuficiência econômica em razão da pandemia do coronavírus, o pleito é absolutamente incompatível com o pleito de impor ao réu a transmissão da propriedade.
Assim, à míngua de provas que corroborem as alegações da autora no que diz respeito à probabilidade do direito invocado, não pode ser acolhido o pleito de antecipação da tutela.
Ausente o primeiro requisito, qual seja, probabilidade do direito, despiciendo perquirir acerca do segundo, qual seja, o perigo de dano.
[...].
Sabe-se que para a parte alcançar a concessão da tutela de urgência, deve comprovar os requisitos da probabilidade do direito (fumus boni iuris) e risco de dano (periculum in mora), de acordo com o art. 300 do Código de Processo Civil/2015:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery salientam:
[...] Duas situações, distintas e não cumulativas entre si, ensejam a tutela de urgência. A primeira hipótese autorizadora dessa antecipação é o periculum in mora, segundo expressa disposição CPC 300. Esse perigo, como requisitos para a concessão da tutela de urgência, é o mesmo elemento de risco exigido, no sistema do CPC/1973, para a concessão de qualquer medida cautelar ou em alguns casos de antecipação de tutela. [...] também é preciso que a parte comprove a existência da plausibilidade do direito por ela afirmado (fumus boni iuris). Assim, a tutela de urgência visa assegurar a eficácia do processo de conhecimento ou do processo de execução [...] (Comentários ao código de processo civil. São Paulo: Revista do Tribunais, 2015. p. 857 e 858).
In casu, os Recorrentes afirmam que são garantidores num contrato de mútuo entabulado por Marili Schmitt e Paschoal Albano (filha e genro dos Agravantes) com o ora Agravado, oferecendo os imóveis ns. 6.561, 9.079, 14.262 e 14.263, do CRI da comarca de Joinville, para satisfação da dívida em caso de inadimplemento; o que veio a ocorrer.
Também sustentam que, por conta da forma como o contrato de mútuo foi redigido (excessivamente favorável ao Agravado), os imóveis foram-lhe transferidos diretamente, que os locou de volta aos inquilinos (Marili Schmitt e Paschoal Albano), em vez de servirem à garantia da dívida por inadimplemento.
Entendendo que a negociação é nula em razão de cláusulas potestativas e excessivamente desfavoráveis, aforaram Ação de Anulação de Ato Jurídico, Manutenção de Posse, Indenização Por Perdas e Danos, e Aquisição da Propriedade de Imóvel por Acessão de Construção de n. 0047083-40.2009.8.24.0038, no qual as partes vieram a encetar composição nos seguintes termos:
A conciliação restou exitosa nos seguintes termos: 1) Para compor a lide José Floriano Schmitt e Bernadeti Felipe Schmitt pagarão para Hélio Ferreira Dias a importância de R$ 1.440.000,00 (um milhão, quatrocentos e quarenta mil reais), no prazo de 13 (treze) anos, em parcelas mensais, todo dia 25, iniciando no dia 25/07/2016. 2) O pagamento será efetuado da seguinte forma: 12 (doze) parcelas mensais fixas de R$ 6.000,00 (seis mil reais); 12 (doze) parcelas mensais fixas de R$ 7.000,00 (sete mil reais); 12 (doze) parcelas mensais fixas de R$ 8.000,00 (oito mil reais); 12 (doze) parcelas mensais fixas de R$ 9.000,00 (nove mil reais); 108 (cento e oito) parcelas de R$ 10.000,00 (dez mil reais), mensais atualizadas anualmente pelo IGP-M a partir de 25/08/2017. 3) o pagamento será efetuado mediante depósito no Banco Bradesco, agência 2650-6 na contacorrente 2794-4, em nome de Hélio Ferreira Dias (CPF 665.810.797-15). 4) No caso de atraso de cinco parcelas ocorrerá o distrato do presente acordo, restando o imóvel com o Sr. Hélio Ferreira Dias, devendo os autores ou seus herdeiros deixarem o imóvel no prazo de 90 (noventa) dias, a partir da intimação pessoal em sede de execução de sentença. 5) As parcelas pagas em atraso terão acréscimo de 5% (cinco por cento) de multa e correção monetária desde o atraso. 6) Com a quitação do acordo, o Sr. Hélio Ferreira Dias, passará a escritura de compra e venda dos imóveis, objetos do processo, para os autores, ou a quem eles indicarem, constando o valor do acordo na escritura. 7) As partes Hélio de Carvalho Cunha e Maria da Graça Pereira Cunha restam excluídas da lide. 8) Cada parte arcará com os honorários de seu advogado. 9) As partes renunciam ao prazo recursal. SENTENÇA: HOMOLOGO por sentença o acordo celebrado entre as partes, para que produza os seus jurídicos e legais efeitos e, por consequência, JULGO o presente feito, com resolução do mérito, nos termos do artigo 487, inciso III, alínea b, do Código de Processo Civil. Outrossim, homologo a renúncia ao prazo recursal. Considerando que a transação ocorreu antes da prolação da sentença as partes ficam dispensadas das custas processuais remanescentes, se houver, nos termos do art. 90, § 3º do Novo Código de Processo Civil. Publicada em audiência.
Agora, na presente ação, almejam a tutela de urgência para o reconhecimento do direito ao imediato registro da transferência de propriedade junto ao CRI da comarca de Joinville, por entenderem que o acordo homologado em juízo é "verdadeiro instrumento de compromisso de compra e venda" (Evento 1).
A pretensão não merece amparo. Isso porque, ao que tudo indica, pelo acordo ajustado entre os litigantes e homologado judicialmente nos autos n. 0047083-40.2009.8.24.0038, os Agravantes somente terão direito à transferência registral após o pagamento regular das prestações assumidas, nos termos do item 6 do ajuste anteriormente citado, in verbis:
6) Com a quitação do acordo, o Sr. Hélio Ferreira Dias, passará a escritura de compra e venda dos imóveis, objetos do processo, para os autores, ou a quem eles indicarem, constando o valor do acordo na escritura.
Como o acordo ainda não foi integralmente quitado - aliás, a outra pretensão dos Agravantes é de suspender temporariamente a exigência das parcelas em aberto -, não se pode acolher, em tutela de urgência, a pretensão à transferência do domínio, mormente à vista da previsão contida no art. 476 do Código Civil:
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
A jurisprudência, no mesmo rumo, posiciona-se:
[...]
É cediço que a exceção do contrato não cumprido é aplicável em avenças bilaterais, que exige a existência de prestações e contraprestações interligadas, de modo que quando uma das partes não cumpre, total ou parcialmente, com sua obrigação, a outra pode recusar-se a cumprir a sua até que o inadimplemento da primeira seja sanado (CC, art. 476) (TJSC, Apelação Cível n. 0303606-83.2015.8.24.0004, de Araranguá, rel. Álvaro Luiz Pereira de Andrade, Sétima Câmara de Direito Civil, j. 27-8-2020).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. AQUISIÇÃO DE APARTAMENTO, PELA AGRAVANTE, EM CONDOMÍNIO, CUJA EDIFICAÇÃO FOI REALIZADA PELA AGRAVADA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA QUE, NA ORIGEM, INDEFERIU A SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DOS VALORES REMANESCENTES, PELA AGRAVANTE, FRENTE À ARGUIÇÃO DE EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO. INSURGÊNCIA DESTA. INVIABILIDADE. APLICAÇÃO DA EXCEÇÃO DE CONTRATO NÃO CUMPRIDO (ART. 476, DO CC) QUE EXIGE PROPORÇÃO ENTRE O DESCUMPRIMENTO DE PARTE A PARTE. APARTAMENTO JÁ ENTREGUE. OBJETO PRINCIPAL DO CONTRATO, PORTANTO, CUMPRIDO PELA AGRAVADA. OBRIGAÇÕES LATERAIS (ENTREGA DE QUADRA DE ESPORTES E ESPESSURA DOS VIDROS DA JANELA) QUE NÃO GUARDAM APARENTE EQUIPARAÇÃO COM O VOLUME DE DESCUMPRIMENTO DO CONTRATO, PELA AGRAVADA. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
A exceção de contrato não cumprido é, antes de tudo, uma derivação dos deveres de probidade e boa-fé a que estão sujeitos os partícipes do negócio jurídico. Dessarte, é imperioso que, para que aludida exceção seja aplicada, haja correlação ou proporção entre as obrigações em confronto, sob pena de se ocasionar indevido desequilíbrio contratual ou enriquecimento sem causa em favor de uma das partes contratantes (TJSC, Agravo de Instrumento n. 5029969-34.2020.8.24.0000, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, rel. Saul Steil, Terceira Câmara de Direito Civil, j. 15-12-2020).
Por essas razões, mantém-se a decisão agravada neste ponto pelo não preenchimento do requisito da probabilidade do direito invocado.
Ademais, pretendem os Recorrente a suspensão do pagamento das parcelas do acordo pelo prazo de 180 dias por conta da pandemia de Covid-19, alegando que sofreram prejuízos financeiros que impedem o pagamento das parcelas do acordo no momento.
Sem razão, também. Não há evidência de redução das possibilidades financeiras dos ora Agravantes e muito menos tal decréscimo - se estivesse demonstrado - como reflexo da pandemia de Covid-19, pois nesse sentido não há prova. A propósito, dispensaram a produção de provas sob o simples argumento de que: "Quanto às provas que ordinariamente são exigidas para esse tipo de pedido, no momento presente devem ser dispensadas, pois já de muito tempo sabe-se que notoria non egent probatione, ou seja, fato notório não precisa ser provado" (Evento 1, Agravo 2, pg. 8).
Esse fato não permite, ao menos em sede de análise de liminar inaudita altera pars, a configuração da probabilidade do direito de forma forma a conceder o pedido de suspensão de pagamento de parcelas de acordo homologado em juízo, mormente pela necessidade de garantia do contraditório e instrução processual:
TUTELA DE URGÊNCIA - Pedido de suspensão temporária de pagamentos de parcelas de financiamento bancário - Indeferimento da liminar pelo D. Juízo a quo - Insurgência da autora - Descabimento - Autora que alega falta de condições de efetuar o pagamento de parcelas por força da pandemia da Covid-19, pois trabalha no ramo do transporte escolar - Ausência de elementos que demonstrem a incapacidade da requerente de arcar com o pagamento da dívida - Documentos coligidos aos autos que não permitem verificar a dimensão dos prejuízos sofridos pela parte em razão da pandemia - Ainda que os trabalhadores que atuam no mesmo ramo da requerente estejam sofrendo de forma mais acentuada as consequências da pandemia, tal fato não dispensa a apresentação de provas concretas do quanto alegado - Alegações genéricas de redução dos ganhos mensais, desacompanhadas de lastro probatório mínimo - RECURSO NÃO PROVIDO (TJSP, Agravo de Instrumento n. 2259933-85.2020.8.26.0000, rel. Des. Renato Rangel Desinano, 11ª Câmara de Direito Privado, j. 17-2-2021).

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DO CUMPRIMENTO DE ACORDO HOMOLOGADO. DESCABIMENTO.
O agravante era devedor para com a agravada, de quantia de quase 350 mil reais. Fizeram acordo para pagamento parcelado. O acordo foi homologado, e o processo foi extinto. Agora, com o processo já findo e encerrado, o agravante atravessou petição na origem, alegando o estado de calamidade gerado pela COVID-19, com determinação de suspensão de suas atividades industriais, e postulando a suspensão da exigibilidade das parcelas que ainda tem a pagar, em função do acordo. O juiz de origem indeferiu o pedido na decisão aqui agravada. E a decisão, não comporta reparo, pois, como bem consignado na decisão agravada, ainda não se passou muito tempo de isolamento em função da pandemia. Embora se possa projetar que a doença ainda vai provocar impacto substancial na economia como um todo, não há como tomar o fato "pandemia", por si só, como prova concreta de que o agravante, já neste momento, e diretamente em sua pessoa física, esteja impossibilitado de pagar seu débito pessoal, pela suspensão das atividades da sua empresa. Na realidade, bem consignou a decisão agravada que a questão trazida pelo agravante é uma questão de fato, que necessita ser investigada da forma mais ampla possível, o que não cabe em processo findo e encerrado pela homologação de acordo.
NEGARAM PROVIMENTO (TJRS, Agravo de Instrumento n. 70084137025, Oitava Câmara Cível, rel. Des. Rui Portanova, j. 19-6-2020).
Ante o exposto, voto por conhecer o recurso e negar-lhe provimento para manter inalterada a decisão que indeferiu a tutela de urgência.

Documento eletrônico assinado por JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA, Desembargador, na forma do artigo , inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://eproc2g.tjsc.jus.br/eproc/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 686813v17 e do código CRC 3000bab3.Informações adicionais da assinatura:Signatário (a): JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉAData e Hora: 13/3/2021, às 16:1:9
















Agravo de Instrumento Nº 5033362-64.2020.8.24.0000/SCPROCESSO ORIGINÁRIO: Nº 5026521-36.2020.8.24.0038/SC



RELATOR: Desembargador JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA


AGRAVANTE: BERNADETI FELIPE SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVANTE: JOSE FLORIANO SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVADO: HELIO FERREIRA DIAS ADVOGADO: JOAO ANTONIO LOPES (OAB RJ063370)


EMENTA


AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE CONHECIMENTO COM CONDENAÇÃO POR DANO MORAL. DECISÃO INDEFERINDO A TUTELA DE URGÊNCIA. RECURSO DO AUTOR. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DA NATUREZA DE COMPRA E VENDA E REGISTRO DE ACORDO HOMOLOGADO EM JUÍZO NA MATRÍCULA DOS IMÓVEIS. IMPOSSIBILIDADE. AJUSTE QUE DEFINE A TRANSFERÊNCIA DAS PROPRIEDADES MEDIANTE O PAGAMENTO DE TODAS PARCELAS. EXEGESE DO ART. 476 DO CÓDIGO CIVIL. REQUERIMENTO DE SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DAS PRESTAÇÕES DO ACORDO DEVIDO A PANDEMIA DE COVID-19. AUSÊNCIA DE PROVAS DO SUPOSTO PREJUÍZO FINANCEIRO. NECESSIDADE DE GARANTIA DO CONTRADITÓRIO E INSTRUÇÃO PROCESSUAL. REQUISITOS DO ART. 300 DO CPC NÃO CONFIGURADOS. MANUTENÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. RECURSO DESPROVIDO.
Não preenchidos um dos requisitos do art. 300 do Código de Processo Civil, quais sejam, a probabilidade do direito ou perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo, não há falar concessão de liminar, sem a oitiva da parte contrária, para a realização de atos de transferência de propriedade de imóveis objeto de ajuste firmado entre as partes, diante da impossibilidade de exigir o cumprimento de uma obrigação sem antes atender a sua parte na obrigação no acordo homologação em juízo.
Não demonstrado, ainda que minimamente, os supostos prejuízos financeiros no estabelecimento comercial dos Agravantes decorrentes da pandemia da Covid-19, mantém-se o indeferimento do pedido de suspensão do pagamento das parcelas do acordo homologado em juízo, mormente diante da necessidade de garantia do contraditório e instrução processual.

ACÓRDÃO


Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina decidiu, por unanimidade, conhecer o recurso e negar-lhe provimento para manter inalterada a decisão que indeferiu a tutela de urgência, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Florianópolis, 11 de março de 2021.

Documento eletrônico assinado por JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA, Desembargador, na forma do artigo , inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://eproc2g.tjsc.jus.br/eproc/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 699812v8 e do código CRC a76b0106.Informações adicionais da assinatura:Signatário (a): JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉAData e Hora: 13/3/2021, às 16:2:31














EXTRATO DE ATA DA SESSÃO Virtual DE 11/03/2021

Agravo de Instrumento Nº 5033362-64.2020.8.24.0000/SC

RELATOR: Desembargador JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA

PRESIDENTE: Desembargador RUBENS SCHULZ

PROCURADOR (A): LENIR ROSLINDO PIFFER
AGRAVANTE: BERNADETI FELIPE SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVANTE: JOSE FLORIANO SCHMITT ADVOGADO: GUSTAVO DANIEL TAVARES BASTOS GAMA (OAB SC017674) AGRAVADO: HELIO FERREIRA DIAS ADVOGADO: JOAO ANTONIO LOPES (OAB RJ063370)
Certifico que este processo foi incluído na Pauta da Sessão Virtual do dia 11/03/2021, na sequência 61, disponibilizada no DJe de 19/02/2021.
Certifico que o (a) 2ª Câmara de Direito Civil, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, proferiu a seguinte decisão:A 2ª CÂMARA DE DIREITO CIVIL DECIDIU, POR UNANIMIDADE, CONHECER O RECURSO E NEGAR-LHE PROVIMENTO PARA MANTER INALTERADA A DECISÃO QUE INDEFERIU A TUTELA DE URGÊNCIA.

RELATOR DO ACÓRDÃO: Desembargador JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉA
Votante: Desembargador JOÃO BATISTA GÓES ULYSSÉAVotante: Desembargador RUBENS SCHULZVotante: Desembargadora ROSANE PORTELLA WOLFF
YAN CARVALHO DE FARIA JUNIORSecretário
Disponível em: https://tj-sc.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/1182685504/agravo-de-instrumento-ai-50333626420208240000-tribunal-de-justica-de-santa-catarina-5033362-6420208240000/inteiro-teor-1182685556

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